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Tarifas de bancos sobem 8,6 vezes a inflação de 3 anos

As tarifas cobradas pelos oito maiores bancos do País, nos últimos três anos, cresceram até 169%, percentual equivalente a 8,6 vezes a inflação para o mesmo período (19,63%), como mostrou a Proteste – Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.

O comportamento das instituições, segundo denuncia a técnica responsável pela pesquisa, Renata Pedro, colabora para o aumento do endividamento pelo brasileiro, "vide a situação econômica difícil pela qual passamos no País".

A especialista conta que, na maioria das vezes, o consumidor possui uma conta que não atende ao perfil dele – ou seja, faz com que tenha mais gastos -, um cartão atrelado a esta conta – o qual usa como extensão da renda -, e, fazendo uso desmedido dos dois, não consegue quitar as dívidas, entrando no crédito rotativo – de taxas extremamente maiores que as das tarifas bancárias. Assim, "acaba tudo uma imensa bola de neve" de dívidas.

"Nossa intenção é mostrar uma saída, dizer para ficar de olho aberto, pois o pago mensalmente para estas tarifas fazem falta no orçamento", diz Renata, apontando para uma escolha consciente do perfil de conta, assim como as possibilidades de renegociação de dívidas.

Dados dos oito maiores
O levantamento elaborado pela Proteste comparou as tarifas das cestas informadas nas tabelas divulgadas pelas oito maiores instituições bancárias em atuação no Brasil: Banrisul, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Citibank, HSBC, Itaú e Santander.

O aumento percentual de maior expressão foi na cesta Exclusive Fácil (antiga Conta Fácil Bradesco Super) do banco Bradesco, que em 2013 custava R$ 23 mensais, e, já no próximo mês, passará a custar R$ 61,90. O consumidor terá um custo anual de R$ 742,80, ou seja, R$ 466,80 a mais que em 2013.

Outro valor que chamou atenção no levantamento divulgado ontem, deve-se aos pacotes de serviços com valores de até R$ 74 mensais, como o cobrado pelo banco Santander na cesta de serviço Van Gogh Max. O custo anual do pacote soma R$ 888.

Acesso à informação
No texto de divulgação dos dados, a Proteste lembra que os bancos têm obrigação de divulgar o valor de todas as tarifas e taxas cobradas, além de deixar claro quais serviços estão inclusos nos pacotes oferecidos.

"Às vezes, o consumidor nem percebe que está pagando uma quantia tão alta, que vai comprometendo as finanças dele. No fim do ano, ele tem um valor que faz muita falta no orçamento", endossa a técnica responsável pelo estudo.

Campanha e atendimento
Ela ainda relembra os 62% de famílias atualmente endividadas no Brasil, das quais 77% estão nesta situação por conta dos juros rotativos do cartão de crédito para contar da campanha que a Proteste está encampando juntamente às autoridades (Câmara e Senado, principalmente), para estabelecer um teto para a cobrança. De acordo com Renata, "não existe regulamentação e os bancos cobram o que eles querem, com total autonomia". "É o que estamos tentando limitar", reforça, sobre esta campanha da associação de consumidores.

Outra ação que visa prevenir e remediar o endividamento entre os brasileiros destacada por Renata busca atuar diretamente nos consumidores, realizando atendimentos pessoais, nos quais as características de consumo, assim como o orçamento é avaliado juntamente com um representante da Proteste. "Qualquer pessoa que queira orientações, é só ligar para a gente, pois estamos tentando de todas as formas ajudar o consumidor", garante.

Cartão de crédito
Outro levantamento divulgado ontem pelo Procon Assembleia aponta uma diferença de valores na cobrança de tarifas entre as sete maiores instituições bancárias de até 54,35%. De acordo com os dados, coletados junto ao Banco Central, os juros mensais do cartão de crédito rotativo são de 16,08% no Santander (maior percentual), enquanto na Caixa Econômica Federal são de 7,34%. A menor diferença nos percentuais é no crédito consignado para aposentados/beneficiários do INSS.

Nesse item, os maiores juros ficaram com o Banco do Brasil, com 2,13% ao mês, e os menores são praticados na CEF, com 2,02%. A variação média geral entre os 17 serviços pesquisados ficou em 21,42%. Os bancos pesquisados foram: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Santander, HSBC, Itaú e Banco Safra

Mais informações:
-Confira a lista de serviços dos bancos e os preços comparados pela Proteste no endereço: http://svmar.es/tarifasbancarias

-Para assinar a petição contra os juros rotativos cobrados pelos cartões de crédito, acesse:
http://svmar.es/protestejuros

-A análise e o acompanhamento das dívidas podem ser feitos no número: 0800 701 2838

-O levantamento do Procon Assembleia pode ser visto no:

http://svmar.es/taxacartaocredito 

Fonte: Diário do Nordeste

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