
As empregadas e os empregados da Caixa Econômica Federal seguem em greve por tempo indeterminado em defesa dos direitos da categoria, da manutenção de um plano de saúde sustentável e de melhores condições de trabalho. A paralisação começou no dia 10, após os trabalhadores rejeitarem a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Na base do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região, todas as unidades estão sem atendimento. Na manhã desta terça (15), o SEEB/VCR organizou em frente à agência/Mongoiós, em Conquista, e em Brumado, uma mobilização, com o objetivo de esclarecer a sociedade sobre os objetivos da greve. A ação contou com a presença de enfermeiros que ofereceram os serviços de aferição de pressão e glicemia gratuitamente para a população.
Entre os principais pontos que levaram à continuidade do movimento está o Saúde Caixa. A categoria reivindica que o plano preserve seu caráter solidário e que o custo da assistência à saúde não seja transferido para os trabalhadores. A reivindicação dos empregados é pelo restabelecimento efetivo do modelo 70/30, no qual Caixa e trabalhadores dividem os custos do plano, sem que o aumento das despesas seja utilizado para impor uma parcela cada vez maior aos empregados.
A categoria segue entre as que mais adoecem em decorrência do trabalho no país. Na Caixa, uma pesquisa realizada pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) em 2025, com empregados da ativa e aposentados, revelou que 37% dos entrevistados já receberam diagnóstico de problema de saúde mental relacionado ao trabalho. O levantamento apontou ainda que 58% dos afastamentos dos empregados estão ligados à saúde mental.
Os bancários cumprem uma função que vai muito além da atividade bancária: são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, na operacionalização de programas sociais e no pagamento de benefícios do governo, como o Bolsa Família, Seguro-Desemprego, BPC, Pé-de-Meia, entre outros.
Em 2025, a Caixa realizou R$ 428,7 bilhões em pagamentos relacionados a programas de transferência de renda, programas sociais, benefícios ao trabalhador e benefícios do INSS, para mais de 56 milhões de cidadãos.
Com mais de 80 mil empregados e uma rede de 3,9 mil unidades em todo o país, a Caixa Econômica Federal mantém presença em praticamente todos os municípios brasileiros e exerce papel central na política habitacional. Em 2025, o banco concedeu cerca de R$ 246,4 bilhões em crédito imobiliário, consolidando sua posição como principal agente financeiro do Minha Casa, Minha Vida e responsável por uma parcela majoritária do financiamento habitacional no país.
A greve, portanto, coloca em debate não apenas questões econômicas ou trabalhistas, mas também qual modelo de banco público a sociedade brasileira deseja: uma instituição cada vez mais orientada pela precarização das suas relações de trabalho ou uma Caixa fortalecida, pública e socialmente comprometida, que valorize aqueles que fazem suas políticas chegarem à população.
Enquanto não houver uma proposta considerada capaz de garantir os direitos reivindicados, os empregados da Caixa permanecem mobilizados. Vamos à luta!
Sindicato dos Bancários Sindicato dos Bancários