Estudantes quilombolas enfrentam incertezas com risco de despejo e corte de serviços básicos.

Na manhã desta sexta-feira (9), um ato público reuniu estudantes, movimentos sociais e apoiadores na Praça Nove de Novembro, em Vitória da Conquista, em protesto contra a decisão da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista (PMVC) de encerrar o apoio à Casa do Estudante Quilombola Dandara dos Palmares.
A mobilização aconteceu em formato de aula pública, com debates sobre a importância histórica e social dos quilombos — tanto os tradicionais quanto os contemporâneos — na formação da sociedade brasileira. O objetivo foi chamar a atenção da população para o impacto social do fechamento da Casa, que há 17 anos funciona como política de permanência no ensino superior para estudantes quilombolas.
Os manifestantes demonstraram preocupação com a possibilidade de despejo dos estudantes, além da interrupção dos serviços básicos de água e energia elétrica, já que o Município anunciou que deixará de custear essas despesas. Apesar da existência de uma emenda impositiva, aprovada pela Câmara de Vereadores, no valor de R$ 40 mil para pagamento do aluguel do imóvel, os organizadores do ato afirmam que não há garantia de que o recurso será efetivamente repassado.
De acordo com Letícia Figueiredo Nascimento Araújo, coordenadora municipal do Movimento Negro Unificado (MNU) em Vitória da Conquista, a entidade foi surpreendida com a notícia do encerramento do apoio por meio do site institucional da Prefeitura: “A Prefeitura Municipal decidiu não manter mais essa política, utilizando como argumento o fato de não ter responsabilidade sobre a Casa, apesar de sua existência ao longo desses 17 anos. Alegou ainda que a associação responsável estaria com documentação irregular. No entanto, todos os documentos da associação estão devidamente regularizados”, afirma.
Segundo Letícia, o movimento reivindica que o Município continue fomentando a Casa do Estudante Quilombola, seja por meio da permanência no imóvel atual, com a realização de reformas, ou com a locação de um novo espaço: “O que defendemos é a manutenção desse projeto político-pedagógico aqui em Vitória da Conquista, pois ele é essencial para garantir o ingresso e a permanência de estudantes quilombolas no ensino superior”, conclui.
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