Relatório da Rede de Observatórios revela mais de 5 mil casos de violência em 2025, com aumento de estupros e feminicídios e forte impacto sobre meninas.

A violência de gênero segue avançando no Brasil e revela um cenário alarmante de agressões, estupros e assassinatos de mulheres. Em 2025, foram monitorados 5.358 eventos de violência contra mulheres em nove estados brasileiros, segundo o relatório “Elas Vivem: a urgência da vida”, divulgado pela Rede de Observatórios da Segurança nesta sexta-feira (6). Os dados resultam de um monitoramento diário de notícias publicadas pela imprensa sobre violência e segurança pública ao longo do ano.
O levantamento revela que a violência contra mulheres segue profundamente enraizada nas relações sociais e familiares. Do total de casos analisados, mais da metade das agressões (56,1%) foi cometida por pessoas íntimas das vítimas, como parceiros, ex-companheiros ou familiares. Outros 26,6% dos casos envolveram conhecidos ou vizinhos, demonstrando que o principal risco para muitas mulheres não está na rua, mas dentro do próprio círculo social.
Entre as ocorrências registradas, os dados apontam 1.798 tentativas de feminicídio ou agressões físicas, 961 casos de violência sexual ou estupro e 546 feminicídios consumados nos estados monitorados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Violência sexual dispara e atinge sobretudo meninas
Um dos dados mais alarmantes do relatório é o crescimento da violência sexual. Em apenas um ano, os registros saltaram de 602 para 961 casos — aumento de 59,6%, evidenciando a expansão desse tipo de crime no país.
A pesquisa também revela um retrato devastador sobre as vítimas: 56,5% dos casos de violência sexual atingiram crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos, indicando que meninas estão entre os principais alvos da violência de gênero.
Nos estados da região Norte, o cenário é ainda mais grave. No Amazonas, por exemplo, 78,4% das vítimas de violência sexual são crianças e adolescentes, enquanto no Pará esse percentual chega a 62,8%.
Feminicídio continua fazendo vítimas todos os dias
O relatório também aponta que 553 mulheres foram assassinadas em 2025 em crimes classificados como feminicídio, o equivalente a uma média de 1,5 assassinato por dia motivado por violência de gênero.
Longe de serem crimes isolados, os feminicídios estão profundamente ligados a relações de poder e controle sobre a vida das mulheres. Motivações como ciúmes, término de relacionamento e conflitos domésticos aparecem com frequência nos casos analisados.
Essa realidade desmonta o mito de que a violência contra mulheres é fruto de ataques de desconhecidos. Na maior parte das vezes, ela nasce dentro das relações íntimas, no espaço doméstico que deveria ser de proteção.
Violência cresce em diferentes regiões
O relatório também mostra diferenças regionais na escalada da violência. No Amazonas, por exemplo, o número de casos monitorados cresceu 69,4% em um ano, saltando de 604 para 1.023 registros. Já no Pará, o aumento foi ainda maior, com crescimento de 76% nas ocorrências.
Em São Paulo, estado mais populoso do país, foram registrados 1.065 eventos de violência de gênero em 2025, incluindo 173 feminicídios e 191 casos de violência sexual, o maior número entre os estados monitorados.
O levantamento também evidencia problemas graves na produção de dados oficiais. Em muitos registros, não há informações sobre raça ou cor das vítimas, o que dificulta a análise das desigualdades raciais que atravessam a violência de gênero no país.
Invisibilidade e subnotificação mascaram a realidade
Para as pesquisadoras da Rede de Observatórios, a violência contra mulheres é um fenômeno estrutural que permanece subnotificado e invisibilizado em diversas regiões do país.
A ausência de dados completos sobre raça, idade e contexto dos crimes impede a formulação de políticas públicas eficazes e reforça um ciclo de impunidade. Sem diagnósticos precisos, a proteção às vítimas tende a ser tardia e insuficiente.
O relatório alerta que enfrentar a violência de gênero exige muito mais do que respostas pontuais. É necessário fortalecer redes de proteção, ampliar políticas de prevenção e enfrentar as estruturas de desigualdade que sustentam a violência contra mulheres no Brasil.
Fonte: Vermelho
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