A greve dos caminhoneiros, que apesar dos anúncios de acordo com as lideranças da mobilização e de medidas intervencionistas feitas pelo presidente Temer, continua provocando transtornos e prejuízos para toda população. A demonstração explicita a disputa de setores da elite que dominam o setor de transportes no país – e se beneficiam dos subsídios do governo, sejam eles nos combustíveis, impostos, desoneração da folha de pagamento, entre outros – e aqueles que estão se utilizando de uma política de preços para a Petrobras – que favorece apenas o capital internacional e as empresas multinacionais do ramos petrolífero.
O objetivo do presidente da Petrobras, além de tentar recuperar tirando do bolso dos brasileiros os prejuízos advindos dos esquemas de corrupção que vem sendo praticadas há décadas pelos vários governos, é preparar a empresa para uma futura privatização nos moldes de outras estatais que foram entregues à iniciativa privada após se tornarem ainda mais rentáveis.
Enquanto a população de uma forma geral apoia o movimento por sofrer diariamente também as consequências do elevado preço do gás de cozinha, do etanol, da gasolina, energia elétrica e de todas as tarifas que dependem das políticas governamentais, oportunistas direitistas se aproveitam da situação para pedir uma intervenção militar, que, caso estivesse em vigor, acabaria e proibiria com qualquer manifestação com o uso da violência extrema, como já aconteceu no passado.
Infelizmente, mais uma vez, as centrais sindicais permaneceram omissas. Este seria o momento de mobilizar os trabalhadores para a construção de uma greve geral, exigindo a saída do presidente corrupto e de todos seus asseclas, e em conjunto com os demais setores sociais, propor mudanças para que o país respeite os direitos do cidadão, aprofundando a democracia e a liberdade individual. Assim, mais uma oportunidade de canalizar a revolta e indignação da população para dar novos rumos à política brasileira vai sendo perdida para as forças conservadoras.
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