Home / Brasil / Câmara adia votação sobre o PL das ‘Fake News’, que nenhum lado quer perder

Câmara adia votação sobre o PL das ‘Fake News’, que nenhum lado quer perder

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) acolheu pedido do relator do PL das Fake News (Projeto de Lei 2630/20) na Câmara dos Deputados, Orlando Silva (PCdoB-SP), pelo adiamento da votação da matéria. Embora o Colégio de Líderes tenha acertado a votação para esta terça-feira (2), argumentou buscar “uma posição que unifique o Plenário”. O fato é que Lira já havia dito que não colocaria o projeto em votação com risco de derrota. Mas, na prática, como nem opositores, nem apoiadores do PL 2630 tinham como cravar vitória, o adiamento não causou desconforto.

Mesmo após mais de três anos de discussão sobre o tema, a extrema direita e as grandes empresas que controlam as redes sociais se aliaram para combater o PL. Unidos, plataformas e parlamentares bolsonaristas apelaram para as mentiras. Diante da pressão, o Parlamento rachou. “Peço para retirar da pauta de hoje. Para que possamos consolidar a incorporação de todas as contribuições que foram feitas, em um movimento de combater desinformação”, apelou Orlando.

O PL das Fake News

O relator lembrou, ainda que de forma sutil, que o PL não tem nada a ver com as críticas da extrema direita. Bolsonaristas e bancada evangélica acusam a matéria de censura. Contudo, o foco do PL está na transparência dos atos e manuseio de algoritmos. O projeto busca combater crimes disseminados nas redes sociais e garantir a liberdade de discurso, como explicou Orlando. “Precisamos garantir liberdade de expressão, responsabilidade para as plataformas e transparência na internet. Esse é o tema. Não é do governo nem da oposição. É um tema do Brasil. Queremos produzir o melhor texto possível.”

Combate ao crime

“Muitos parlamentares reproduzem a mentira, a inverdade e a submissão do Parlamento à ganância ao poder econômico das big techs que fazem ingerência no Parlamento para lucrarem em cima do crime. Contra crianças, contra adolescentes. Permitem apologia à tortura, ao racismo, à violência contra mulheres e a crimes que a Constituição não permite. O projeto em nenhum momento ofende a liberdade de expressão e de manifestação. Mas impede o crime”, argumentou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

Ana Pimentel (PT-MG) reforçou a posição. “Esse projeto de lei vai garantir condições igualitárias na internet. A regulamentação proposta pelo PL vai contribuir decisivamente para as mulheres. Sabemos que o crime de ódio é direcionado majoritariamente às mulheres. Crime que acontece livremente na internet. Por isso precisamos disso. Para impedir que o ódio e a violência que são disseminados livremente seja impedido e responsabilizado. Empresas e plataformas que permitem o crime de ódio devem ser responsabilizadas”, disse.

Adiamento

A liderança do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentou pela votação ainda hoje. O entendimento da extrema direita é de que eles precisam “enterrar” o projeto para garantir a liberdade de mentir nas redes. Já a bancada do PT reconheceu o “senso de urgência”, mas concordou com o adiamento pelo bem da aprovação do texto, como argumentou o líder Zeca Dirceu (PT-PR).

“O crime na internet está ceifando vidas, tirando vida de crianças. Levando o terror para as escolas. Destruindo a vida do país. Nossa bancada está sensível sobre o tema. Mas não faremos nada para colaborar com aqueles que querem confundir a sociedade. Isso não é disputa de governo e oposição. O que está na matéria é o essencial para regular as redes e punir crimes. Concordamos com o adiamento e vamos lutar pela aprovação desse texto mais adiante”, disse.

O líder do Psol, Guilherme Boulos (SP), criticou o adiamento, mas aceitou a demanda do relator. “A cada dia que não votamos esse projeto, é terra sem lei na internet. Na semana do massacre em creche em Santa Catarina, o Ministro da Justiça apresentou mais de 400 perfis do Twitter de gente que estimulava massacre, o Twitter recusou retirar do ar. Vai continuar esse vácuo. A cada dia que essa Casa tarda, é um dia a mais que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai tomar decisões. Mas respeitamos o pedido de Orlando de adiamento por mais alguns dias”, disse.

Mais lideranças

O líder do bloco do União Brasil, PP e demais partidos, André Fufuca (PP-MA), defendeu o adiamento. “É de consenso que fica inviável hoje a aprovação ou tramitação dessa matéria para a votação de todos. O relator recebeu mais de 90 emendas para um projeto que muitos querem se aprofundar. Então, gostaria de, pela boa-fé, que pudéssemos adiar essa votação para construirmos um texto que seja aprovado com ampla maioria. Peço a retirada de pauta, esse é o encaminhamento do maior bloco da Casa”.

Já o líder do bloco Republicanos, MDB, PSD e Podemos, Hugo Motta (Republicanos-PB) destacou a boa condução dos trabalhos por Orlando. Ele frizou o bom diálogo do deputado e concordou com o adiamento.

“Cumprimento o deputado pelo brilhante trabalho. Ele teve a capacidade de, ao longo da relatoria, ouvir sugestões. Procurou ser acessível a todos deputados na construção do relatório. Isso é unânime na Casa, a capacidade de diálogo de Orlando. Mas nosso bloco entende que deve haver regulamentação. Porém, diante da contaminação pela polarização na Casa, fruto do resultado da eleição, está inviabilizada a apreciação dessa matéria”, disse.

O PL 2630 cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet. Ou seja, estabelece obrigações a serem seguidas por redes sociais, aplicativos de mensagens e ferramentas de busca na sinalização e retirada de contas e conteúdos considerados criminosos.

Com informações da Agência Câmara

Veja Mais!

Bancos não funcionam no feriado de Tiradentes, confira

As contas com vencimento no dia 21 poderão ser pagas no próximo dia útil, sem …