
O Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região (SEEB/VCR) realizou, nos dias 24 e 25 de abril, o Curso de Formação Sindical voltado para dirigentes e delegados da base. As atividades, promovidas na sede da entidade, proporcionaram dois dias de debates e reflexões sobre temas atuais e fundamentais para o mundo do trabalho, com palestras que abordaram o cenário político e econômico, os impactos da tecnologia nas relações sociais e profissionais, além de questões relacionadas à ética, saúde mental e combate ao assédio no ambiente de trabalho.
O primeiro dia do evento contou com a palestra do professor e doutor João Cezar de Castro Rocha. Sob o tema “Tudo por um triz? O mundo e o Brasil em 2026”, o palestrante analisou o cenário nacional e internacional, refletindo sobre os possíveis rumos do país. Entre os pontos abordados, destacaram-se as transformações no mundo do trabalho.
“Nos últimos 20 anos, o mundo do trabalho sofreu muitas alterações, e que, de agora em diante, serão ainda mais radicais com o advento da inteligência artificial. É necessária uma conscientização política em relação a essa nova tecnologia, pois se não tivermos controle político sobre ela, em 15 anos, não haverá uma única democracia no planeta e, em menos tempo ainda, não haverá nenhum direito do trabalho, pois a inteligência artificial criará uma legião de pessoas dispensáveis. Portanto, o enfrentamento da inteligência artificial não pode se dar unicamente com base em discussões tecnológicas, é preciso deixar claro que nós não necessitamos de inteligência artificial em todas as esferas do trabalho, pois isso apenas beneficia 1% dos bilionários mais ricos. Para a grande maioria dos trabalhadores, a inteligência artificial poderá levar a uma condição de miserabilidade no planeta,” alerta.
Além disso, o palestrante ressaltou a importância da organização sindical diante dos desafios contemporâneos, especialmente frente à disseminação da lógica meritocrática entre os jovens trabalhadores. “É necessário combinar o trabalho corpo a corpo, o trabalho permanente com a base e com uma presença inteligente nas redes sociais. Contra as grandes plataformas, nós, trabalhadores, sempre vamos perder, mas nós podemos tornar a vitória delas muito custosa.”
Já no segundo dia, dirigentes e delegados participaram de debates sobre temas fundamentais para o futuro da categoria bancária. A primeira palestra, ministrada por Carlos Augusto, mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), teve como tema “Cinema de verdade ou vida de ficção? Reflexões sobre o impacto da tecnologia nas relações sociais, de trabalho e de poder”.
“Muitas das coisas transmitidas nos filmes de ficção científica, tanto para o bem quanto para o mal, precisam ser pensadas. Apesar de ser um momento lúdico e de relaxamento, também pode ser usado para ser um momento de reflexão sobre o nosso dia a dia, sobre a nossa saúde, família e nossas relações com o mundo”, destacou.
Na sequência, o delegado sindical, bancário da Caixa e economista Júlio Cesar Domingos abordou o tema “Ética e Saúde Mental: quem tem medo da NR-1?”. Ele explicou a importância da norma regulamentadora nº 1 dentro do conjunto de diretrizes que tratam da saúde e segurança no trabalho.
“A NR-1 estabelece obrigações das empresas em relação aos trabalhadores e ao ambiente laboral, especialmente no que diz respeito à prevenção e ao controle de riscos à saúde. Atualmente, vivemos uma realidade preocupante, marcada pelo aumento expressivo de afastamentos por questões de saúde mental. Trata-se de um fenômeno alarmante, que não se restringe ao Brasil, mas se apresenta em escala global”, afirmou.
Por fim, o tema do combate ao assédio moral e sexual na categoria bancária foi abordado por Tatiana Rossini, especialista em Direito do Trabalho pela UFBA.
“O sindicato tem um papel fundamental para garantir o direito à saúde e à segurança do trabalhador. Então, ele precisa contar com uma equipe capacitada para receber o trabalhador que foi vítima de assédio, inclusive, esse primeiro atendimento com a escuta ativa, com um olhar diferenciado, fazendo encaminhamentos, sem nenhum tipo de julgamento, validando a dor daquele trabalhador. Isso é fundamental para que ele tenha segurança e possa tomar as medidas necessárias para mitigar aquele assédio, para buscar uma indenização, eventualmente, ou até mesmo para exigir que o banco tome providências. Então, mais uma vez, eu digo: eu quero parabenizar o sindicato de Conquista pela realização desse evento, que traz um despertar de uma consciência, de reflexões sobre a sociedade atual e sobre o papel do sindicato, que precisa ser feito. É necessária essa capacitação constante para que o sindicato possa acolher, receber e exercer o seu papel institucional de maneira eficaz”, afirma.
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