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Iphan quer proteger as armas de fogo como objetos de valor cultural para o país

Diretor recém-nomeado para alto escalão do órgão cria grupo de trabalho para estudar materiais bélicos

O Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, criou um grupo de trabalho para estabelecer o valor cultural de armas de fogo, segundo uma portaria publicada em 28 de maio. O documento é público e teve sua autenticidade confirmada por um servidor do órgão.

O grupo de trabalho tem 30 dias para desenvolver uma proposta com “critérios de avaliação de armas de valor cultural, com vistas a emissão de parecer referente ao valor cultural de material bélico” em geral. A partir dessa avaliação, os objetos seriam então destinados para acervos de museus ou descartados, de acordo com a portaria.

O documento é assinado por Leonardo Barreto, diretor do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização, um dos cargos mais importantes da gestão patrimonial nacional, sediado em Brasília, e para o qual ele foi nomeado há menos de um mês.

A portaria é um de seus primeiros atos e vem logo após o Iphan, o principal órgão de preservação do patrimônio cultural do país, viver sua maior paralisia em 65 anos —algo que não foi visto nem na ditadura militar— e receber diversos ataques do presidente Jair Bolsonaro.

Revólveres à venda em loja na Califórnia, nos EUA – Bing Guan -12.abr.2021/Reuters

O grupo de trabalho é composto por duas pessoas, ambas sob a coordenação de Barreto. Uma delas é Adler Homero Fonseca de Castro, professor do mestrado do Iphan com publicações sobre história militar e história do armamento e pesquisador associado do Centro de Pesquisa em História Militar do Exército. Em sua foto no site Academia.edu, que reúne seus artigos acadêmicos, ele aparece em frente a tanques de guerra. O outro membro é José Neves Bittencourt, membro do Iphan em Minas Gerais.

Formado em engenharia elétrica e com mestrado em artes visuais, Barreto, o proponente, é servidor do Iphan há cerca de 35 anos, de acordo com o site do órgão.

Ele atuou na superintendência de Minas Gerais nas áreas de iluminação interna e externa, instalações elétricas e prevenção e combate a incêndios e pânico em bens culturais protegidos pelo órgão. Também foi assessor técnico da presidência.

A portaria foi publicada cerca de uma semana após a revelação de que o secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, Mario Frias, anda armado. Segundo fontes, o ex-ator de “Malhação” usa uma arma na cintura à vista de todos enquanto está na Esplanada.

Foto: Mario Frias (dir.) fez aula de tiro no Bope com Eduardo Bolsonaro (centro), que disse que ‘arma também é cultura’ Reprodução/Twitter

Frias já apareceu nas redes sociais portando armas de fogo. Em novembro do ano passado, posou ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro, em visita ao Bope, o Batalhão de Operações Especiais, ambos segurando uma arma. “Tiro também é cultura”, escreveu Eduardo.

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