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Restauração neoliberal em curso desde o golpe de 2016 acelerou o funesto processo de desindustrialização da economia brasileira

PIA Empresa do IBGE revela um quadro desolador para a indústria, que vem perdendo espaço na economia desde os críticos anos 1980, que não sem razão configuraram a primeira década perdida do capitalismo brasileiro. Entre 2013 a 2019 a indústria perdeu 8,5% de suas empresas e 15,6% dos seus postos de trabalho

A desindustrialização não é um fenômeno recente no Brasil. É observada há mais de quatro décadas. Constitui em certa medida um legado da crise da dívida externa provocada pelo aumento das taxas de juros para 20% nos EUA em 1980. Naquele tempo o valor da produção industrial brasileira era superior ao da China. O retrocesso foi enorme.

Conforme os economistas Regis Bonelli e Samuel de Abreu Pessôa a indústria chegou a representar quase 36% do PIB brasileiro em 1985. A perda de participação foi de tal ordem que a indústria respondia por apenas aproximadamente 18% do PIB na média da década de 2000, excluindo-se o ano de crise de 2008, metade do máximo registrado em 1985. Recuou ainda mais e hoje representa cerca de 10% do produto.

Em relação à participação brasileira na indústria e no PIB mundiais desde 1970 observa-se que o Brasil perdeu participação no mundo tanto no que diz respeito à produção manufatureira quanto no que toca ao PIB. No que diz respeito ao PIB industrial houve aumento entre 1970 e 1980, período em que se passa de 2,9% do total mundial para 6,4%.

A queda a partir daí é quase ininterrupta até o final dos anos 1990, quando se chega a taxas da ordem de 2,2%. Após uma recuperação de 1999 a 2004 (2,7%), tem-se uma ligeira redução para 2,4% em 2007. A trajetória de queda foi acelerada após o golpe de 2016 e tal índice desceu a 1,9% em 2019. Em 2011, o Brasil foi a 6ª maior economia do mundo. Em 2020 tinha despencado para a 13ª posição. Cabe ressalvar que esses números são também influenciados pelo comportamento do câmbio, visto que o valor de referência é o dólar.

Um fenômeno global, mas nem tanto

A desindustrialização não é um problema específico do país. O exame da participação média da indústria de transformação no PIB mundial a partir de uma amostra de número constante de países mostra que houve uma queda pronunciada no longo prazo: de 24,9%em 1970 para 16,6% 2007.

Este processo, porém, foi desigual. Na China, que tornou-se a maior e mais dinâmica economia do mundo, a indústria e a construção representam 49% do PIB. Além disto, se considerarmos o período histórico da desindustrialização no Brasil, ou seja desde os anos 80 do século passado, é fácil observar que constituímos um ponto fora da curva global.

Para o “Mundo exceto China”, o peso da indústria de transformação no PIB (a preços constantes) regrediu somente 1% entre 1980 e 2015 (de 16,2% para 16,1%), enquanto que para o Brasil este declínio chegou a nada menos do que 42% (de 23% para 13,3%).

Neoliberalismo

A terciarização da economia, com diminuição do peso relativo dos setores primário (agropecuária) e secundário (indústria) e aumento do setor terciário (comércio e serviços), é em certa medida uma tendência objetiva do desenvolvimento econômico determinada pela evolução da produtividade do trabalho.

Na medida em que diminui o tempo de trabalho necessário à produção de mercadorias, cresce do outro lado a quantidade de mercadorias produzidas por jornada sem que se altere o valor da produção. Isto significa que volumes cada vez maiores de mercadorias têm de ser lançadas no mercado, o que enseja a ampliação das atividades comerciais e se reflete na construção de shoppings, bem como na concentração e centralização das empresas comerciais.

Mas o processo de desindustrialização está igualmente associado, provavelmente em maior medida, às políticas econômicas adotadas pelos governos.

Avesso à intervenção do Estado e devoto do fundamentalismo do mercado o neoliberalismo é hostil a políticas industriais. Com isto, estimula a desindustrialização e a chamada financeirização da economia. Foi o que se verificou na maior potência capitalista do planeta.

Ascensão e queda dos impérios

Da mesma forma que a vertiginosa industrialização explica a ascensão da China ao primeiro lugar no ranking mundial da produção industrial e do PIB (pelo critério de Paridade do Poder de Compra), a desindustrialização foi e é a principal causa do declínio do poderio econômico relativo dos EUA.

Por lá, o peso da indústria de transformação no PIB tinha descido a 10,9% em 2019. No período compreendido entre 1947 e 1966 foi em média de 26%. No caso, a evolução do setor está intimamente associada aos déficits comercial e em conta corrente, traduzidos num forte crescimento da participação da indústria estrangeira (hoje principalmente chinesa) no abastecimento do mercado interno em detrimento da indústria local.

Parasitismo hipertrofiou o consumo e transformou a Walmart na maior empresa dos Estados Unidos

Em consequência, observou-se uma notória hipertrofia do consumo e do comércio, razão pela qual a varejista Walmart ocupa há nove anos a posição de maior empresa dos EUA, segundo a revista Fortune. A receita anual da multinacional subiu a US$ 559 bilhões em 2021. O segredo: a compra de mercadorias produzidas pela indústria chinesa a preços bem mais competitivos do que nos EUA.

Duas coisas ficam evidentes neste movimento. De um lado, o mercado interno dos EUA (ainda o maior do mundo) tornou-se um importante canal de valorização do capital industrial chinês, portanto fonte de expansão da indústria chinesa. Do outro, o déficit em conta corrente, que chegou a 647,2 bilhões em 2020, provocou a hipertrofia do comércio, que é em si, segundo Karl Marx, uma atividade improdutiva.

De mãos dadas com os déficits externos, que traduzem o fato de que a sociedade americana consome muito mais do que produz (ou seja, tal qual um parasita, anda comendo, bebendo e vivendo à custa de outros povos), caminhou o deslocamento da indústria para o exterior, com destaque para a China.

Tanto o déficit comercial quanto o deslocamento das multinacionais americanas para a China, contribuindo para a expansão da indústria na próspera potência asiática, são fenômenos que poderiam ter sido contornados ou pelo menos retardados por políticas econômicas apropriadas e também por um espírito autenticamente patriota e público da sua oligarquia financeira, que não mais existe.

As empresas só migram para o exterior por iniciativa e decisão dos seus proprietários, os senhores capitalistas, que movidos pelo afã da maximização dos lucros, agem a despeito dos interesses nacionais e não titubeiam em sacrificar o emprego e bem estar da classe trabalhadora. Os movimentos do Capital são determinados pela lógica do lucro máximo e não por interesses altruístas. É a dura e fria ética do dinheiro.

Mas os EUA só acordaram para a tragédia da desindustrialização sob os governos de Donald Trump e Joe Biden. Mas parece demasiado tarde para recuperar o terreno perdido, ou seja, recompor as bases econômicas da hegemonia geopolítica. O parasitismo afetou profundamente as raízes do processo de produção e reprodução do capitalismo estadunidense. Nas pegadas de Trump, Biden lançou um ambicioso programa de reindustrialização que nada mais tem a ver com o neoliberalismo.

Golpe de 2016

No Brasil, onde aos males do neoliberalismo devem ser acrescentadas as privatizações e a desnacionalização indiscriminada da economia, o processo de restauração neoliberal iniciado após o golpe de 2016 acelerou o processo de desindustrialização, conforme revelam estatísticas divulgadas recentemente pelo IBGE.

Trata-se de uma situação extremamente preocupante para o futuro do país. Cabe notar que o processo de desindustrialização foi acompanhado da sensível redução das taxas de crescimento do PIB brasileiro. De uma média em torno de 7% durante o período de industrialização (1930 a 1980) caiu à casa dos 2% após a crise da dívida externa e ainda menos na última década (2011-2020), que registrou inclusive um sensível recuo da renda per capita.

O declínio das taxas de crescimento, que condenaram a economia nacional aos chamados voos de galinha, agrava os problemas sociais e em particular o maior deles, que é o desemprego em massa. O exército de desempregados e desalentados em nosso país já soma mais de 21 milhões, 33,2 milhões estão subempregados e mais de 50% da População em Idade Ativa (PIA) não tem ocupação.

Vivemos em um país onde só prosperam banqueiros e ricaços, que em geral surfam nas ondas do rentismo. A necessidade de mudanças nos rumos da nação é candente. O primeiro passo é derrotar o governo Bolsonaro e sua política neoliberal.

A indústria é o carro chefe do desenvolvimento das nações. Por esta razão, no âmbito de um novo projeto nacional de desenvolvimento orientado para a valorização do trabalho, a democracia e a soberania, a re-industrialização da economia brasileira merece total prioridade. Este objetivo não será alcançado sem uma forte intervenção do Estado, a reversão das privatizações e o fortalecimento das empresas públicas.

Leia abaixo a íntegra notícia do IBGE sobre a evolução da indústria entre 2013 e 2019.

Em 2019, o país tinha 306,3 mil empresas industriais, que ocuparam 7,6 milhões de pessoas e pagaram R$ 313,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. A receita líquida de vendas do setor foi de R$ 3,6 trilhões.

Em 2019, o número de empresas industriais teve a sexta queda consecutiva e estava 8,5% abaixo do seu auge, que foi em 2013 (335,0 mil). Já o número de postos de trabalho caiu 15,6% em relação a 2013, quando o setor empregava 9,0 milhões de pessoas, o apogeu da série histórica.

Entre 2010 e 2019, a ocupação do setor industrial caiu 9,2%, puxada pela perda de 786,2 mil empregos nas indústrias de transformação. Somente oito das 24 atividades da indústria de transformação aumentaram seu pessoal ocupado, com destaque para a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (51,3%).

Mesmo pagando os salários mais elevados, a indústria extrativa teve uma redução no salário médio, passando de 5,9 salários mínimos (s.m.) para 4,6 s.m. Nas indústrias de transformação a redução foi de 3,3 s.m. para 3,1 s.m.

Em 2019, as oito maiores empresas industriais eram responsáveis por 24,7% do Valor de Transformação Industrial (VTI) nacional. De 2010 a 2019, a participação das unidades locais das indústrias extrativas no VTI passou de 11,7% para 15,2%. Apesar da perda de participação em dez anos, o Sudeste ainda concentrava 57,7% do VTI nacional em 2019.

O faturamento bruto da indústria foi de R$ 4,8 trilhões em 2019, e 82,5% deste vieram da venda de produtos e serviços industriais, participação maior que a de 2010 (80,5%).

A fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias teve a maior perda de representatividade na receita líquida de vendas da indústria (3,1 p.p.), passando da 2ª para a 4ª posição no ranking, e concentrando 9,2% do faturamento total em 2019. Essas são algumas das informações da Pesquisa Industrial Anual (PIA) Empresa 2019.

Ocupação na indústria caiu 15,6% desde 2013

A indústria brasileira empregou 7,6 milhões de pessoas em 2019, com queda de 9,2% frente a 2010. Em relação a 2013, o ponto alto da série, quando chegou a empregar 9,0 milhões de pessoas, a indústria perdeu 15,6% dos seus postos de trabalho (tabela abaixo).

Pesquisa Industrial Anual- PIA Empresa – 2010/2019
Número de empresas
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Total 299.862 313.191 328.532 334.976 333.750 323.293 318.452 313.682 308.940 306.345
Indústria Extrativa 5.163 6.456 6.552 6.966 6.939 7.010 5.625 6.358 5.919 6.341
Indústria de Transformação 294.699 306.735 321.980 328.010 326.811 316.283 312.827 307.324 303.021 300.004

Frente a 2018, a indústria perdeu 0,7% dos seus postos de trabalho. Embora a ocupação nas indústrias extrativas tenha subido 2,6% no período, houve queda de 0,8% (ou menos 57.694 pessoas) nas indústrias de transformação, responsáveis por 97,5% das ocupações do setor.

Em 10 anos, entre as 24 atividades das indústrias de transformação, oito tiveram crescimento de pessoas ocupadas, com destaque para a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (51,3%). As quedas mais intensas vieram da fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (-27,7%) e da fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-27,5%).

Nas indústrias extrativas, a extração de petróleo e gás natural quase quintuplicou a mão de obra ocupada em 10 anos. A queda mais intensa foi na extração de carvão mineral (-41,0%). As indústrias extrativas representam 2,5% da mão de obra de toda a indústria.

As atividades que mais empregaram em 2019 foram fabricação de produtos alimentícios (21,6%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (7,5%). A seguir, vêm produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (5,9%), veículos automotores, reboques e carrocerias (5,8%) e produtos de minerais não-metálicos (5,1%).

Indústria extrativa tem a maior média salarial

A indústria nacional pagou R$ 313,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações em 2019, sendo 96,4% referente às indústrias de transformação e 3,6% às indústrias extrativas. Em dez anos, contudo, o salário médio mensal na indústria caiu de 3,4 s.m. para 3,2 s.m.

Embora ainda pague os salários mais elevados, a indústria extrativa teve uma redução 1,3 s.m. em uma década, passando de 5,9 s.m. em 2010, para 4,6 s.m. em 2019, sobretudo, devido à queda de 4,0 s.m. na atividade de extração de minerais metálicos. Já na indústria de transformação a redução foi de 3,3 para 3,1 s.m. A extração de petróleo e gás natural tinha o maior nível salarial mensal em 2019 (23,0 s.m.), seguida pelas atividades de apoio à extração de minerais (9,7 s.m.) e a fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (7,0 s.m.).

Número de empresas industriais caiu 8,5% desde 2013

Em 2019, a PIA encontrou 306,3 mil empresas industriais no país. Em dez anos, esse foi o segundo menor número de empresas, ficando atrás apenas de 2010 (299,9 mil). Esse indicador atingiu seu apogeu em 2013 (335,0 mil empresas) e, desde então, não parou de cair (tabela abaixo).

Pesquisa Industrial Anual- PIA Empresa – 2010/2019
Número de pessoas ocupadas
2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
Total 8.387.141 8.655.946 8.820.350 9.029.154 8.799.195 8.147.062 7.735.266 7.640.646 7.670.569 7.617.795
Indústria Extrativa 175.188 206.230 221.942 225.324 227.409 213.273 189.672 187.002 187.085 192.005
Indústria de Transformação 8.211.953 8.449.716 8.598.408 8.803.830 8.571.786 7.933.789 7.545.594 7.453.644 7.483.484 7.425.790

As empresas da indústria de transformação representam 97,9% das empresas industriais e tiveram comportamento similar: seu número vem se reduzindo desde 2014 e chegou a 300 mil em 2019 (menos 8,2%). Já o número de empresas nas indústrias extrativas cresceu 7,1% desde 2018, chegando a 6,3 mil. Esse setor representa apenas 2,1% das empresas industriais.

Em 2019, a indústria tinha 183,8 mil unidades locais, das quais 97,5% operavam nas indústrias de transformação. Unidade local é onde se desenvolvem as atividades econômicas de uma empresa.

Porte médio das indústrias extrativas superava o das indústrias de transformação

Em 2019, o porte médio das empresas industriais era de 25 pessoas ocupadas, sendo mais elevado nas indústrias extrativas (30 pessoas) do que nas indústrias de transformação (25 pessoas). Entre as atividades industriais, destacam-se a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, com cerca de 668 pessoas ocupadas por empresa, seguida da extração de minerais metálicos (374 pessoas) e da fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (220 pessoas).

Faturamento bruto das empresas industriais foi de R$ 4,8 trilhões em 2019

O faturamento bruto da indústria foi de R$ 4,8 trilhões em 2019, dos quais 82,5% vieram da venda de produtos e serviços industriais, cuja participação cresceu frente a 2010 (80,5%).

A participação da receita das atividades não industriais também aumentou de 7,1% em 2010 para 8,3% em 2019. Já a participação das demais receitas (aluguéis, juros de operações financeiras etc.) recuou de 12,4% para 9,2%, no período.

A receita líquida de vendas foi de 3,6 trilhões em 2019. Desse total, 67,4% se concentravam nas empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas). Destaca-se, ainda, que em 10 anos, a receita líquida das empresas com até 19 pessoas ocupadas passou de 5,0% para 5,8%.

Fabricação de veículos perde participação e cai no ranking de faturamento

Em 2019, o faturamento das indústrias extrativas foi 6,1% do total da indústria, sua maior participação em 10 anos. A atividade de extração de petróleo e gás natural teve aumento de 1,6 p.p, no período, alcançando 1,7% do faturamento industrial. A atividade extrativa mais relevante, contudo, foi a extração de minerais metálicos, que concentrou 3,6% da indústria.

Já nas indústrias de transformação, a fabricação de produtos alimentícios (20,5%) se consolidou como a atividade com a maior parcela de faturamento em dez anos, com um ganho de participação de 3,3 p.p.

Por outro lado, a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias teve a maior perda de representatividade na indústria (3,1 p.p.), passando da 2º para a 4ª posição no ranking, e concentrando 9,2% do faturamento total da indústria em 2019.

Valor da transformação industrial foi de R$ 1,4 trilhão em 2019

Em 2019, 306,3 mil empresas industriais ativas com uma ou mais pessoas ocupadas empregaram 7,6 milhões de pessoas e pagaram R$ 313,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. Sua receita líquida de vendas foi de R$ 3,6 trilhões.

A indústria gerou R$ 1,4 trilhão de valor da transformação industrial (VTI), a diferença entre o valor bruto da produção (R$ 3,3 trilhões) e os custos das operações industriais (R$ 1,9 trilhão). Desse montante, 90,1% (R$ 1,3 trilhão) foram das indústrias de transformação.

As oito maiores empresas industriais geram 24,7% do VTI nacional

Em dez anos, a concentração industrial (R8) aumentou 2,4 p.p., passando de 22,3% em 2010 para 24,7% em 2019. Nas indústrias extrativas, a concentração reduziu de 75,5% para 74,0% e nas indústrias de transformação aumentou de 19,6% para 23,0%. A “razão de concentração de ordem 8” (R8) é o percentual do VTI gerado pelas oito maiores empresas do setor.

No período, a concentração aumentou na fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, de 33,5% para 46,1%, e na fabricação de celulose, papel e produtos de papel, que passou de 46,2% para 56,6%.

Participação das indústrias extrativas no VTI sobe para 15,2% em dez anos

Em uma década, as unidades locais das indústrias extrativas aumentaram sua participação no VTI, passando de 11,7% em 2010 para 15,2% em 2019. Já as unidades locais das indústrias de transformação, apesar de uma redução de 3,5 p.p. no período, concentraram 84,8% do VTI em 2019.

Nas indústrias extrativas, o avanço vem da extração de petróleo e gás natural que, em uma década, aumentou sua parcela em 3,4 p.p. e registrou 7,2% do VTI da indústria. Nas indústrias de transformação, a fabricação de produtos alimentícios continua sendo a principal atividade e ganhou 1,3 p.p., concentrando 15,2% do VTI em 2019. Em seguida, a fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis, correspondeu a 13,6% do valor gerado na indústria e avançou 3,3 p.p. entre 2010 e 2019.

Fabricação de veículos cai da 3ª para 6ª posição no ranking de VTI

A fabricação de produtos químicos passou a ocupar a terceira posição do ranking em 2019, com 7,3% do VTI. Já a fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,2%), recuou 3,8 p.p. e caiu da 3ª para a 6ª posição no ranking, entre 2010 e 2019.

No ranking das cinco maiores atividades na composição do VTI em 2019, a 4ª e 5ª posição ficaram com a extração de petróleo e gás natural, que passou a concentrar 7,2% do VTI da indústria e subiu do nono para o quarto lugar; seguida da extração de minerais metálicos, que, em 2019, ocupou a quinta posição, perfazendo 6,7% do VTI industrial.

Sudeste perde participação, mais ainda concentra 57,7% do VTI

A região Sudeste concentrava 57,7% do valor de transformação industrial (VTI) em 2019, seguida pelo Sul (19,2%), Nordeste (10,0%), Norte (7,5%) e Centro-Oeste (5,6%). Embora mantenha a liderança, desde 2010 o Sudeste perdeu 3,2 p.p. em participação. Já o Centro-Oeste (1,1 p.p.), Sul (0,8 p.p.), Nordeste (0,7 p.p) e o Norte (0,6 p.p.) avançaram no período.

No Sudeste, São Paulo (56,6%) perdeu 2.8 p.p de participação no VTI regional em dez anos, com o declínio da indústria automobilística. Minas Gerais (20,0%) e Rio de Janeiro (19,6%) ocuparam a segunda e terceira posições, com o Espírito Santo (3,8%) a seguir.

Na indústria paulista, a principal mudança foi na indústria automobilística, que em 2010 liderava, com 14,6% do VTI e, em 2019, caiu para 9,0%, deixando o trio das principais atividades do estado. Em Minas Gerais, a extração de minerais metálicos representa 22,8% do VTI.

Na indústria fluminense, destaca-se a dependência da extração de petróleo e gás natural (33,1%) e da fabricação de coque, de produtos derivados do petróleo e de biocombustíveis (30,3%), que somam 63,4% do VTI estadual. No Espírito Santo, a extração de petróleo e gás natural representa 36,8% do VTI.

Santa Catarina é o estado que mais ganhou participação no VTI do Sul do país

Na região Sul, que avançou 0,8 p.p., o Paraná (36,7%) e o Rio Grande do Sul (35,9%) lideraram o VTI regional, ocupando, respectivamente, o primeiro e segundo lugares no ranking. Mas o principal destaque foi Santa Catarina (27,4%), que apesar de manter a terceira posição, foi o estado que mais ganhou participação em dez anos (1,7 p.p.). Neste estado, destaca-se a expansão da indústria alimentícia, que tirou espaço da tradicional cadeia de têxtil e vestuário.

O Nordeste aumentou 0,7 p.p no VTI, com o aumento da representatividade do estado de Pernambuco, que elevou a participação em 4,9 p.p. no período e concentrou 21,0% do VTI regional. Esse avanço ocorreu em detrimento da Bahia (40,6%), que perdeu 4,4 p.p. de participação, embora tenha mantido a liderança na região.

A indústria cearense, por sua vez, foi responsável por 13,9% do VTI em 2019, consolidando cadeias importantes da indústria do couro e de vestuário no estado nos últimos 10 anos. Outro destaque foi o Maranhão, que no período, aumentou a participação em 2,4 p.p. e chegando a 6,1% do VTI em 2019, principalmente pelo desenvolvimento da indústria metalúrgica e de papel e celulose, superando a Extração de minerais metálicos nos últimos anos.

Pará lidera com mais da metade do VTI no Norte do país

A região Norte avançou 0,6 p.p. em participação no VTI do país, entre 2010 e 2019. Destaca-se o avanço do Pará (13,2 p.p.). O Amazonas recuou 12,2 p.p. em dez anos. Em 2019, os dois estados lideraram o VTI regional com, respectivamente, 55,3% e 39,7% do total.

No Pará, 84,3% do VTI vêm da extração de minerais metálicos, enquanto o Amazonas se beneficia da Zona Franca de Manaus e da indústria de eletrônicos, bebidas e refino de petróleo. Somados, os demais estados totalizaram 5,0% da produção da região Norte.

VTI do Mato Grosso do Sul cresce 6,7 p.p em dez anos

O Centro-Oeste teve o maior aumento em participação no VTI da indústria nacional em dez anos (1,1 p.p.). Goiás (47,3%) é o líder na região, mas a participação Mato Grosso do Sul (25,4%) cresceu 6,7 p.p. no período, graças à produção de papel e celulose e de biocombustíveis. Mato Grosso (23,4%) e o Distrito Federal (3,9%) completam o ranking, ambos com forte predominância da indústria de alimentos.

Fonte: CTB

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