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Ataque às empresas públicas é prioridade para Guedes

Com o governo Bolsonaro, a classe trabalhadora não tem um minuto de descanso. Na última segunda-feira (27), o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a aceleração do processo de privatização de estatais, como Petrobras e Banco do Brasil.

“Eu gostaria de privatizar todas as estatais, é uma forma de dizer. Quem dá o timing é a política”, disse Guedes em evento virtual da International Chamber of Commerce Brasil. “Qual é o plano para os próximos 10 anos? Continuar com as privatizações. Petrobras, BB, todo mundo entrando na fila, e isso sendo transformado em dividendos sociais”, continuou.

O ministro comemorou o valor arrecadado com as estatais vendidas, que geraram 240 bilhões de reais em dois anos e meio, mas tratou com desdém a dilapidação do patrimônio público: “não foram grandes empresas, as grandes vêm agora: Correios, Eletrobras”, acrescentou.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região, Leonardo Viana, a privatização do Banco do Brasil só atende aos interesses coorporativos dos bancos privados. “O BB tem uma participação fundamental para a sociedade brasileira. No ano passado, por exemplo, financiou 54% da produção do agronegócio. A agricultura familiar, que coloca 70% da alimentação dos brasileiros, tem grande parte do financiamento feito pelo banco”, afirma.

O Banco do Brasil obteve lucro líquido de quase R$ 10 bilhões no 1º semestre de 2021, crescimento de 48,4% em relação ao mesmo período de 2020, segundo análise elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “A experiência brasileira com privatizações tem mostrado apenas o caráter entreguista dessas medidas sem garantir nenhum torno concreto para o povo. Quem em sã consciência vende empresas altamente lucrativas apenas para entregar o controle ao capital privado? Se houvesse realmente preocupação desse governo usar as estatais para a questão social, bastava se preocupar mais em direcionar a atuação dessas empresas no combate às desigualdades ao invés de repassar a maior fatia dos lucros para os grandes acionistas em forma de dividendos, não sendo necessário privatizá-las para isso ”, considera Leonardo Viana.

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