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BB anuncia ganhos com IA enquanto quadro de funcionários e rede de agências encolhem

Banco registrou 1.968 funcionários e 66 agências a menos em um ano; promessa de ampliar o relacionamento com clientes exige respostas sobre contratações e condições de trabalho.

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, afirmou durante o Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, em 7 de outubro, que os 2.300 agentes de inteligência artificial utilizados pelo BB geram ganhos de eficiência equivalentes ao trabalho de 20 mil funcionários. Segundo a executiva, a proposta é aproveitar o tempo liberado pela tecnologia para ampliar a atuação das equipes no relacionamento com os clientes.

De acordo com a cobertura do Estadão, Tarciana ressaltou que esse ganho de eficiência não significa a substituição de funcionários. A declaração, entretanto, ocorre em um cenário de redução da estrutura do banco. O relatório Análise do Desempenho do 2T26, divulgado pelo próprio BB, mostra que, entre junho de 2025 e junho de 2026, a instituição registrou 1.968 funcionários e 66 agências a menos. Esse contraste coloca em debate o destino dos ganhos de produtividade e seus efeitos sobre o emprego e o atendimento à população.

Os números não permitem identificar, isoladamente, os motivos dos desligamentos nem estabelecer que a IA tenha provocado o encolhimento. Isso, porém, não elimina a preocupação sindical: o quadro pode diminuir mesmo sem o anúncio de demissões coletivas, quando aposentadorias e outras saídas não são acompanhadas de reposição suficiente. Assim, a afirmação de que a tecnologia não substituirá funcionários precisa ser acompanhada de esclarecimentos sobre como o banco pretende manter as equipes necessárias ao atendimento.

Para avaliar a promessa de ampliar o relacionamento humano, é preciso conhecer quantos trabalhadores foram efetivamente realocados para essa atividade e quais resultados foram obtidos. Redução de filas, tempo disponível para orientação e capacidade de resolver problemas são indicadores que precisam acompanhar o discurso de eficiência. Também cabe esclarecer se a automação alivia a carga das equipes ou se o tempo economizado acaba absorvido por novas exigências de produtividade e vendas.

Por isso, afastar a possibilidade de substituição direta por máquinas não encerra a discussão. Diante da redução do quadro e da rede de agências, permanece a questão: haverá contratações para que o tempo liberado pela tecnologia se traduza, de fato, em mais atenção aos clientes e melhores condições de trabalho?

O Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região estará atento aos desdobramentos desse processo e vigilante na defesa dos empregos e das condições de trabalho. A entidade cobrará transparência sobre os impactos da inteligência artificial e medidas para que os ganhos de produtividade se traduzam em valorização dos funcionários e melhoria do atendimento à população, sem servir de justificativa para o enxugamento das equipes ou o aumento da sobrecarga.

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